QUEIXAS NOTURNAS
2 de abril de 2008
Quem foi que viu a minha Dor chorando?!
Saio. Minh’alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!
Não trago sobre a túnica fingida
As insígnias medonhas do infeliz
Como os falsos mendigos de Paris
Na atra rua de Santa Margarida.
O quadro de aflições que me consomem
O próprio Pedro Américo não pinta…
Para pintá-lo, era preciso a tinta
Feita de todos os tormentos do homem!
Como um ladrão sentado numa ponte
Espera alguém, armado de arcabuz.
Na ânsia incoercível de roubar a luz.
Estou à espera de que o Sol desponte!
Bati nas pedras dum tormento rude
E a minha mágoa de hoje é tão intensa
Que eu penso que a Alegria é uma doença
E a Tristeza é minha única saúde.
As minhas roupas, quero até rompê-las!
Quero, arrancado das prisões carnais.
Viver na luz dos astros imortais,
Abraçado com todas as estrelas!
A Noite vai crescendo apavorante
E dentro do meu peito, no combate.
A Eternidade esmagadora bate
Numa dilatação exorbitante!
E eu luto contra a universal grandeza
Na mais terrível desesperação…
É a luta, é o prédio enorme, é a rebelião
Da criatura contra a natureza!
Parai essas lutas, uma vida é pouca
Inda mesmo que os músculos se esforcem,
Os pobres braços do imortal se torcem
E o sangue jorra, em coalhos, pela boca.
E muitas vezes a agonia é tanta
Que, rolando dos últimos degraus,
O Hércules treme e vai tombar no caos
De onde seu corpo nunca mais levanta!
E natural que esse Hércules se estorça,
E tombe para sempre nessas lutas,
Estrangulado pelas rodas brutas
Do mecanismo que tiver mais força.
Ah! Por todos os séculos vindouros
Há de travar-se essa batalha vã
Do dia de hoje contra o de amanhã,
Igual à luta dos cristãos e mouros!
Sobre histórias de amor o interrogar-me
E vão, é inútil, é improfícuo, em suma;
Não sou capaz de amar mulher alguma
Nem há mulher talvez capaz de amar-me.
O amor tem favos e tem caldos quentes
E ao mesmo tempo que faz bem, faz mal;
O coração do Poeta é um hospital
Onde morreram todos os doentes.
Hoje é amargo tudo quanto eu gosto;
A bênção matutina que recebo…
E é tudo: o pão que como, a água que bebo,
O velho tamarindo a que me encosto!
Vou enterrar agora a harpa boêmia
Na atra e assombrosa solidão feroz
Onde não cheguem o eco duma voz
E o grito desvairado da blasfêmia!
Que dentro de minh’alma americana
Não mais palpite o coração — esta arca,
Este relógio trágico que marca
Todos os atos da tragédia humana!
Seja esta minha queixa derradeira
Cantada sobre o túmulo de Orfeu;
Seja este, enfim, o último canto meu
Por esta grande noite brasileira!
Melancolia! Estende-me a tua asa!
És a árvore em que devo reclinar-me…
Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Diz a este monstro que eu fugi de casa!
AUTOR: AUGUSTO DOS ANJOS (AMOOOOO)



Comentário por ChingDanBayo — 2 de abril de 2008 (16:51)
No Começo Voce Sente “Estranho No Ninho”, Buscando Sempre Alguem Que Seja Igual…
Ai Vem O Joguete De Palavras Amooooooooooooooooo…
“As minhas roupas, quero até rompê-las!” Todos Buscam Essa Liberdade De Expressão, Sentir-se Pela Primeira Vez Livre Para Fazer Tudo Que Quiser…
“O coração do Poeta é um hospital
Onde morreram todos os doentes. ” Nessa Parte Eu Ao Climax Amo Muito Comparar A Poesia Como A Doença Necessaria !!!!!…
“Se algum dia o Prazer vier procurar-me
Diz a este monstro que eu fugi de casa! ” - Novamente Trata Os Outros Como Os Montros Que Não Podem Ser Evitadosssssssssssss…
Mal Necessariooooooooooooooooooooooooooooooo…
Amei Você Postar Este…
Te Adoro Muitão…
Comentário por Leticia Melo — 2 de abril de 2008 (21:22)
o augusto é um grande poeta mesmo!!!!!!
Comentário por morfina — 3 de abril de 2008 (22:33)
decidi fazer um blog também
gostei da idéia
obrigadão!!!!!!
amei o teu blog é pura essência
dá pra sentir daqui …
beijo pra tà minha amiga e conselheira.